domingo, 31 de outubro de 2010

O lado bom da eleição de Dilma

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sábado, 30 de outubro de 2010

Eleições 2010

Tenho evitado, há um bom tempo, updates falando sobre política neste blog; no segundo turno, este assunto se tornou enfadonho e irritante. Porém, agora a dois dias da eleição e depois do último debate, faz-se necessário um comentário. Para quem espera imparcialidade, vou tentar, mas não prometo.

Essas eleições foram pautadas por debates religiosos até certo ponto irresponsáveis. Falar sobre o aborto da forma como foi falado nessa eleição é muita leviandade. O aborto não pode ser visto como um crime, pura e simplesmente; deve ser tratado como um problema de saúde pública. Como foi tratado no governo FHC, quando José Serra era ministro da Saúde e regulamentou o aborto (regulamentar é diferente de regularizar; o aborto e a união de homossexuais devem, na opinião deste blog, ser regulamentados, não regularizados; regulamentar é estabelecer regulamentos, enquanto regularizar é liberar).

Outra questão importante desta eleição é o tema "privatização". Na opinião deste blog, o Estado deve ser responsável, apenas, por oferecer saúde (e, nisso, inclui-se saneamento básico), segurança e educação; o que passa disso é planificação de economia. E, se for pra planificar, planifique de uma vez; melhor do que ficar pagando de economia capitalista pro mundo. E quem disse que as privatizações foram ruins para o Brasil? O PT? Não. Durante o segundo mandato de Lula, em 2007, Ivan Valente propôs a re-estatização da Vale; o PT foi veementemente contra (podem ver neste link: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/o-que-o-pt-esconde-o-pt-fez-a-mais-entusiasmada-defesa-da-privatizacao-da-vale-e-provou-o-bem-que-a-decisao-dos-tucanos-fez-ao-pais/). Se até o PT diz que as privatizações foram boas para o Brasil, porque temos a impressão de que o PSDB se envergonha delas?

Outro ponto primordial desta (?) eleição é a corrupção. Neste ponto, apenas citarei nomes e fatos: José Dirceu, Erenice Guerra, Paulo Souza, Amaury Ribeiro Jr, Fernando Collor de Mello, Verônica Serra, quebra de sigilo, tráfico de influência, Aécio Neves, guerra interna, licitação do metrô, Rodoanel, Mensalão, Aloprados, Sanguessuga.

Nesta eleição, também foi dada muita atenção à Democracia. Existiu um temor entre certos setores da sociedade de que a candidata petista daria sequência a um plano de transformar o Brasil em uma ditadura populista de esquerda. Prefiro não comentar isso. Gostaria de comentar as agressões que a Democracia brasileira sofreu durante a campanha eleitoral. O STF considerou CENSURA o veto aos arquivos da candidata petista durante a ditadura; onde há censura, não há Democracia. A agressão sofrida por José Serra no Rio de Janeiro obviamente não é uma atitude de quem presa pelos valores democráticos; não importa se foi bolinha de papel, rolo de fita crepe ou um tijolo. Não se pode ADMITIR que isso ocorra em uma Democracia. Como disse que tentaria ser imparcial, citarei também o episódio do balão d'água que foi atirado em Dilma (apesar de achar estranho a assessora dela estar com um guarda-chuva, do PT, aberto ao lado da candidata, sendo que não havia tempo de chuva). Outra agressão à Democracia foi o comportamento do Presidente da República durante a campanha; como cidadão, ele tem o direito de escolher o (a) candidato (a) que ele quiser e fazer campanha pra ele. Mas não pode cancelar compromissos oficiais para fazer essa campanha; e, muito menos, fazer campanha e ofender o candidato de oposição em um compromisso de agenda oficial. Isso não é papel de um chefe de Estado democrata.

Nos debates, José Serra se mostrou, na maioria das vezes, melhor preparado do que Dilma (principalmente no debate da Rede Globo). Isso é extremamente natural. Ele tem mais tempo na política e já concorreu várias vezes a cargos no executivo, enquanto Dilma nunca concorreu em eleições. Serra fala melhor e tem melhor domínio da Língua Portuguesa. Dilma, não se sabe se por recomendação dos marqueteiros e de Lula, “esquecia-se” de plurais e afins. Abusava de algumas palavras em determinados momentos, e todos sabemos que não devemos repetir muito uma determinada palavra. Dilma não se mostrou bem preparada para o debate. Isso conota uma certa arrogância, mas não quero pensar que é isso.

Algumas pesquisas foram extremamente contestadas pelo candidato do PSDB. Ele e seu partido disseram haver uma “crise de metodologia” nos institutos de pesquisa. Como eles erraram FEIO no primeiro turno, não sei se discordo muito deles; mas, na maioria das vezes, essa reclamação parece choro de perdedor.

Agora, falemos sobre propostas. Eu confesso que não enxerguei muitas propostas de Dilma desde o começo da campanha eleitoral. Ela fala apenas de “continuar e ampliar”, mas não diz como fará isso. A maioria das propostas que enxerguei foram copiadas do plano de governo tucano: “Rede Cegonha” (Mãe Brasileira, para os tucanos), corte do PIS/COFINS (que figura no plano tucano desde o começo da campanha) e criação de policlínicas (implantadas por Serra em SP e figurando em seu plano, também). Outras propostas, como a criação de seis mil creches, são de execução extremamente complicada e não dependem apenas do Governo Federal. Sobre as propostas de Serra, existem as já citadas neste parágrafo, além de outras que merecem citação: a criação de vários AMEs, a instituição de dois professores na primeira série do Ensino Fundamental, a criação do Centro de Reabilitação Zilda Arns (parente do já existente em terras paulistas CR Lucy Montoro), e propostas que este blog considera de difícil execução, como o aumento do salário mínimo para R$600,00, o aumento de 10% para todos os aposentados e o décimo-terceiro do Bolsa Família; essas propostas de difícil execução podem acabar quebrando a Previdência Social.

Quanto ao passado dos candidatos, ambos têm belas histórias de luta contra o regime militar. Serra foi exilado no Chile e, perseguido também pela ditadura chilena de Pinochet, nos EUA; Dilma preferiu a ilegalidade e foi guerrilheira no Brasil, sendo presa e torturada. Este blog acha (grifem: ACHA, não tem provas) que Dilma era uma burocrata do grupo; ou seja, não tomou parte nos crimes que dizem terem sido cometidos por ela. Uma coisa que o autor deste texto acha estranha é a vergonha que Dilma parece ter da luta armada. Ela não gosta de se referir a esse passado, enquanto outras personalidades como Fernando Gabeira, Aloysio Nunes, José Dirceu e José Genoíno têm orgulho de dizer que participaram dessa luta de guerrilhas contra o Regime Militar. Por isso acho que ela não tomou parte na luta armada. Serra tem uma biografia política invejável: secretário de Planejamento no governo Montoro em São Paulo, deputado constituinte, deputado federal, senador, ministro do Planejamento de FHC, ministro da Saúde de FHC, prefeito da maior cidade da América Latina e governador do estado mais importante do Brasil. Dilma também tem uma bela biografia política, mas seus cargos foram mais de bastidores: secretária de Finanças da prefeitura de Porto Alegre, secretária de Minas e Energia do governo sul-riograndense, ministra de Minas e Energia de Lula e minstra-chefe da Casa Civil de Lula. Não farei aqui a propaganda absurda de que ela não tem experiência política para governar o Brasil, porque FHC nunca tinha ocupado um cargo no Executivo quando foi eleito Presidente; Lula, também não. Logo, experiência não é tudo.

Creio ter falado tudo. Tentei ser o mais imparcial possível até aqui. Os que buscam imparcialidade devem parar de ler aqui.

Para terminar, este blog recomenda o voto em José Serra.        

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O politicamente correto em ritmo de barbárie: Monteiro Lobato na mira dos “censores do bem” do Ministério da Educação


Experimentei, confesso, certo mal-estar ao ler uma reportagem de Angela Pinho e Johanna Nublat, na Folha de hoje. Leiam. Volto em seguida:
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Monteiro Lobato (1882-1948), um dos maiores autores de literatura infantil, está na
mira do CNE (Conselho Nacional de Educação). Um parecer do colegiado publicado no “Diário Oficial da União” sugere que o livro “Caçadas de Pedrinho” não seja distribuído a escolas públicas, ou que isso seja feito com um alerta, sob a alegação de que é racista. Para entrar em vigor, o parecer precisa ser homologado pelo ministro da Educação, Fernando Haddad. O texto será analisado pelo ministro e pela Secretaria de Educação Básica.
O livro já foi distribuído pelo próprio MEC a colégios de ensino fundamental pelo PNBE (Programa Nacional de Biblioteca na Escola). Em nota técnica citada pelo CNE, a Secretaria de Alfabetização e Diversidade do MEC diz que a obra só deve ser usada “quando o professor tiver a compreensão dos processos históricos que geram o racismo no Brasil”. Publicado em 1933, “Caçadas de Pedrinho” relata uma aventura da turma do Sítio do Picapau Amarelo na procura de uma onça-pintada.
Conforme o parecer do CNE, o racismo estaria na abordagem da personagem Tia Nastácia e de animais como o urubu e o macaco. “Estes fazem menção revestida de estereotipia ao negro e ao universo africano”, diz a conselheira que redigiu o documento, Nilma Lino Gomes, professora da UFMG. Entre os trechos que justificariam a conclusão, o texto cita alguns em que Tia Nastácia é chamada de “negra”. Outra diz: “Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão”.
Em relação aos animais, um exemplo mencionado é: “Não é à toa que os macacos se parecem tanto com os homens. Só dizem bobagens”. Por isso, Nilma sugere ao governo duas opções: 1) não selecionar para o PNBE obras que descumpram o preceito de “ausência de preconceitos e estereótipos”; 2) caso a obra seja adotada, tenha nota “sobre os estudos atuais e críticos que discutam a presença de estereótipos raciais na literatura”.
À Folha Nilma disse que a obra pode afetar a educação das crianças. “Se temos outras que podemos indicar, por que não indicá-las?” Seu parecer, aprovado por unanimidade pela Câmara de Educação Básica do CNE, foi feito a partir de denúncia da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, ligada à Presidência, que a recebeu de Antonio Gomes da Costa Neto, mestrando da UnB.
Comento
Antonio Gomes da Costa Neto, o tal mestrando da UnB que, Deus do céu!, denunciou Monteiro Lobato, afirma em entrevista à Folha que ele não quer, não, censurar o autor. É que, segundo ele, “Os professores, no dia a dia, não têm o preparo teórico para trabalhar com esse tipo de livro. Então, não é que ele deva ser proibido. O que não é recomendado é a sua utilização dentro de escola pública ou privada.
Ah, bom! É o mesmo argumento que se empregava na República Velha para tirar de milhões de brasileiros o direito de votar: eles seriam muito ignorantes para  isso e fariam besteira. É o argumento que a censura empregava durante as ditaduras havidas no Brasil, seja a de Getúlio, seja a militar: falta capacidade às pessoas para discernir o bem do mal, e a exposição a material potencialmente nefasto lhes causará prejuízos. A esquerda adere aos argumentos que dizia servirem antes aos conservadores. Não é, como se nota, que ela fosse a favor da liberdade; apenas era contra a censura aplicada pelos adversários. Quando aplicada pelos aliados, tudo bem!
É um escárnio. Submete-se Monteiro Lobato a padrões, debates e proselitismos que estão postos hoje em dia, mas que não estavam dados então. É claro que não se descarta a possibilidade de que o professor possa trabalhar em sala de aula a figura de Tia Nastácia  — que, atenção!, é um dado da formação história, familiar, social e moral brasileira. Que seja, pois, tema de aula se for o caso. Proibir a obra ou meter nela uma tarja de “racista” é uma estupidez sem par.
Deverá agora “O Mercador de Veneza” vir com a advertência: “Cuidado! Obra anti-semita, só recomendável para quem está devidamente instruído sobre este assunto”. Ou, do mesmo Shakespeare, sobrepor à capa de “Othelo” algo assim: “Cuidado! Sugere-se que temperamento emocional e desequilibrado do protagonista pode estar relacionado à sua origem racial e mesmo à cor de sua pele”? Vai-se proibir Alexandre Herculano, em Portugal ou em qualquer lugar, ou apensar um tratado a seus livros advertindo para a possível manifestação de preconceito contra a fé islâmica? É o fundo do poço moral, a que não se chega sem uma dose cavalar de ignorância, preconceito às avessas, estupidez e, obviamente, patrulha ideológica.
Já contei aqui de um amigo articulista que foi “molestado” — sim, molestado moralmente! — porque, num artigo sobre economia, escreveu que via “nuvens negras” no horizonte. Quis saber o militante? “Nuvens negras? Como sinal de coisa ruim? Não pode! É racismo”. Desde a “Ilíada” pelo menos, de Homero,  nuvens negras estão associadas a maus presságios, são prenúncios de acontecimentos aziagos — e os negros nem sequer haviam ainda entrado na história dita ocidental. Há nuvens negras em Machado de Assis, um autor… negro! Aliás, vejam vocês, esse autor também espelha em sua obra as relações sociais de seu tempo. Sem contar que, antes das tempestades, o céu costuma, efetivamente, enegrecer, não é?
Querem mandar Monteiro Lobato de volta para a cadeia, agora uma cadeia moral. Vou ver se encontro um pequeno ensaio que escrevi sobre sua obra, no tempo em que eu ainda escrevia sobre cultura — em vez de combater a “incultura” da política brasileira. Que o tal rapaz faça a sua “denúncia”, vá lá. Que um parecer bucéfalo seja aprovado por unanimidade no Ministério da Educação, aí já estamos no terreno da paranóia e da mistificação.
PS - E não me espanta que tal cretinismo tenha acontecido na gestão do ministro Fernando Haddad, este homem notoriamente incompetente, competentíssimo na arte de fingir competência. Em breve, Monteiro Lobato só poderá ser recomendando depois da leitura do livro “Emília, a boca de trapo, pede desculpas por todas as ofensas a Tia Nastácia”.
Por Reinaldo Azevedo

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Mistério

  Seus olhos eram como duas grandes e belas jabuticabas: pretos, profundos. Davam a impressão de terem vida própria. Era loira. A primeira coisa que se percebia nela eram os cabelos. Deslumbrantes. Ela se dizia feliz. Até que ele apareceu.

  Ele apareceu fulminantemente na vida da garota loira. Os dois começaram a conversar, começaram a sair e a se conhecer melhor. Em poucos dias já namoravam. Uns diziam ser paixão; outros, bruxaria. Na verdade, um mistério.

  Até hoje ninguém entende direito o que aconteceu com a loira e com ele. Em poucas semanas, já moravam juntos. Depois disso, começaram a sair menos. Quase não eram mais vistos pela população.

  Até que, um dia, não houve mais relatos dos dois naquela cidade. Todos se perguntavam sobre o que acontecera com eles. Certo dia, ouvi que ele a tinha matado. Uma possibilidade, mas não creio que isso tenha ocorrido.

  O casal se amava. Pelo menos, ele a amava. Não havia certeza sobre os sentimentos dela. Na verdade, ela o matou. E fugiu. Não aguentava de ciúmes. Como posso saber de tudo isso? Eu vivi. É difícil explicar. Não é fácil escrever sob uma lápide.

I Will Be Here For You

When you feel the sunlight
Fade into the cold night

Don't know where to turn
I don't know where to turn

And all the dreams you're dreaming
Seem to lose their meaning

Let me in your world
Baby, let me in your world

All you need is someone you can hold
Don't be sad, you're not alone

I will be here for you
Somewhere in the night
I'll shine a light for you
Somewhere in the night
I'll be standing by
I will be here for you

In this world of strangers
Of cold and friendly faces

Someone you can trust
Oh there's someone you can trust

I will be your shelter
I'll give you my shoulder

Just reach out for my love
Reach out for my love

Call my name and my heart will hear
I will be there, there's nothing to fear

Michael W. Smith

sábado, 23 de outubro de 2010

Carta de Amor

Eu realmente não consigo parar de pensar em ti...

A cada instante, a lembrança de tua face invade a minha memória como o mais violento tufão e como a mais suave brisa.

Não há um só elemento de minha amarga vida que não traga à minha lembrança a imagem da perfeição que tu és.

É impossível descrever a ânsia do meu ser pela tua presença; não sei como exprimir o anseio dos meus lábios têm para experimentar o doce sabor de tua boca; não tenho palavras para mensurar a ansiedade de meu corpo por um abraço teu.

És tão linda como a mais bela das rosas; tão graciosa como a dança dos planetas em torno do sol; tão suave como a mais doce melodia já tocada por mãos humanas.

Teu sorriso me cativa, teu olhar me inspira. Penso em ti a cada momento de minha triste existência (triste porque não te tenho; se tivesse, eu seria a mais feliz das criaturas humanas).

Suspiro por ti, minha musa. Satisfaça minha ânsia: caia em meus braços, toque meus lábios com os teus, seja minha dama. O que sinto por ti, não posso expressar.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

"Banalidades"

A 10 dias da eleição, seria natural que esse blog falasse sobre política... Mas acho que existem alguns outros belos assuntos que mereçam a nossa atenção tanto quanto a política... Não quero falar sobre uma eleição marcada pela sujeira, pela baixaria e pelo golpe baixo... Falemos de coisas mais bonitas...

- Hoje (dia 20 de outubro) a lua estava maravilhosa
- O Palmeiras ganhou do Universitario de Sucre por 3x1 e se classificou na Copa Sul-Americana
- Sou o melhor amigo da minha ex-namorada e vice versa
- Meu melhor amigo trabalha como atendente do SAMU... As histórias dele sempre me fazem rir...
- Fiz a inscrição pro vestibular da Toledo; a prova será no sábado
- O Resgate vai tocar na El Shaday, em Araçatuba, no dia 13 de novembro; sempre quis ver um show deles...
- Estou lendo a Bíblia inteira pela primeira vez... Hoje, terminei Isaías... Em 17 dias, termino tudo...
- Preciso ir a um dermatologista... Minhas espinhas estão me incomodando...
- Preciso cortar o cabelo... Ele tá muito grande...
- Deus é maravilhoso...
- Minha avó completou 81 anos de vida essa semana...
- Estou feliz, apesar de não ter muitos motivos pra isso...
- Estou pensando em palavras doces como "amor", "paixão" e "beleza", mas não sei como usá-las neste texto...

Obrigado pela atenção

Thiago Grossi