quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Um Beijo

Naquele momento
Não queria pensar
Em mais nada
Tudo era você
Tudo era pra você

Contudo
Era impossível
Evitar o
Turbilhão de ideias
Que atropelava
Meu raciocínio

Sua beleza
Seu sorriso
Seu cabelo
As pessoas
Nada importava
Tudo importava

Meu desejo
Que o tempo
Não passasse
Ficar ali
Para sempre
Só eu e você.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Segurança














"Is it safe to land?"
(Jars of Clay)
Em terra
A dificuldade
Da sustentação
Da situação
Que passo
Me deixa
Cada vez mais
Com vontade
De voar
Para longe
Bem longe

De casa
Da cidade
Do país
Do mundo
Da vida
De tudo

Ignoro tudo
À minha volta
E saio voando
Quero
Liberdade!

No ar
Cansado da solidão
Preciso de alguém
Busco uma saída
Procuro por um
Alguém
Que seja
Especial
Diferente

No ar
Não existe
Ninguém

Preciso voltar
Me diga
É seguro?
É seguro aterrissar?

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Autopsicografia

"O poeta é um fingidor"
(Fernando Pessoa)

Quem é o poeta?
Um mentiroso
Enganador
Sofredor

Será que sempre
Que o poeta
Faz suas
Poetadas
A sinceridade
É a marca maior
De seu trabalho?

Ou talvez
O poeta
Esteja
Apenas
Procurando
A melhor
Forma de
Passar
Tudo o que
Ele quer
Dizer
Mas
Nunca
Consegue

Por que o poeta
Tem que escrever
O que sente?

Lembra, beneditino,
Que poesia
Nem sempre
É verdade

Lembra, ator,
Que poesia
É sentimento, sim,
Mas que nem todos
Precisam s(t)er
Sentidos

Lembra, revolucionário,
Que poesia
Sempre vai
Ser ritmo

Lembra, acadêmico,
Que lirismo
Deve ser
Libertação

E a poesia
Deusa dos sofredores
Esposa do amor
Pai dos infelizes
Trabalha
Com seu cônjuge
Para que soframos

Se me odeias
Por que te amo?

A sinceridade
Fez parte
Das linhas
Escritas
Aqui?

O que o
Poeta
Sente?

Pensa?

Escreve?

Diz?

É verdade?

SIM!
NÃO!

E agora?

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Desilusão

  Por tanto tempo esperei, e agora encontrei. O sorriso perfeito, os olhos perfeitos, o cabelo perfeito, o corpo perfeito, a pessoa perfeita. Apaixonei-me assim que a vi.
  Seu sorriso ficará para sempre guardado em minha memória. Cativante, puro, doce. Era impossível olhar para seu sorriso e ficar sem sorrir. Ela era do tipo que conseguia transmitir qualquer tipo de emoção à hora que quisesse.
  Seus olhos eram os olhos mais lindos que a Terra jamais viu. Olhos de um azul tão doce, tão lindo, tão puro. Aqueles olhos eram o espelho de sua alma. 
  Falando da alma, poucas coisas são tão belas como sua alma. Eu ficava maravilhado. Ela tinha um quê de insegurança, de medo, de tristeza que a tornavam frágil e indefesa, e me faziam querer protegê-la de tudo.   Entretanto, a característica mais marcante de sua alma era a bondade que aqueles olhos tanto irradiavam; como ela era uma pessoa boa. Era capaz de ficar sem comer se visse alguém passando fome na rua. Admirável.
  Seu cabelo quase merece uma ode só para ele. Cabelos castanho-claros, ondulado, quase cacheado. Caíam por seus ombros quase como a mais bela cascata do planeta. Passava horas admirando a perfeição daquele cabelo.
  Tinha tudo para ser minha senhora. Estava perdidamente apaixonado por aquela beleza da criação. Os dias passavam e nada mais tinha graça na minha vida. Tudo se resumia a ela. Passava dias e noites pensando em formas de fazer com que ela sentisse o mesmo por mim.
  Um certo dia, resolvi ir até ela e dizer o que eu sentia. Passei todo o caminho pensando nas palavras que poderiam ser ditas para demonstrar meu amor por ela. Que eu queria passar toda a minha vida com ela, que nada mais importava na minha vida. 
  Lá chegando, tive a mais desagradável das surpresas. Minha musa, a mulher que eu tanto idealizei, que eu tanto amei, por quem tanto chorei. 
  Chorei dias e dias com o que vi naquele lugar. Não tinha forças para continuar a vida, mas eu precisava me levantar. Como fazer isso? Não conseguia mais viver.
  Alguns dias depois, cheguei à conclusão de que isso, de alguma forma, tinha que acabar. Tomei minha decisão. Fiz o impensável. E cheguei até aqui.
  O que eu fiz não foi certo, mas aquilo precisava parar. Eu estava morrendo a cada dia. Simplesmente resolvi morrer de uma vez.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Súplica a Cupido

Noites e noites em claro
A pena como único amor

Amor?
Cruel deus dos desgraçados
Pai de um Cupido
Amargo e raivoso

Ó, Cupido,
Por que tantas
Travessuras
Fazes comigo?
Que mal te fiz
Para que agisses
De tal forma?

Tanto demorastes
Para flechar
Este dolorido
Coração

E agora,
Esqueces-te
De flechar
Aquela
Por quem
Tua flecha
Me cegou

Por que Amor?
Não treinastes
Teu filho na arte
De fazer pessoas
Amarem?

Ó entidades
Submissas ao Amor
Escutem meu choro
Sintam meu sofrer
Compadecei-vos
Deste pobre coitado

Ó Cupido
Flecha aquela
Por quem me
Apaixonastes

Ó bela donzela
Atenta à flecha
Do maroto
E olhe em meus olhos
Quando sentires
O fatal golpe
Da arma do
Filho do Amor

Rogo-vos

Cessai a
Minha dor.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Devaneio

"Estranho seria se eu não 
Me apaixonasse por você"
(Nando Reis)

Por que me apaixonar por você?
Por que não me apaixonar por você?

Se tua beleza
Se tua doçura
Se você

É tão linda
Tão intensa
Tão doce

Como não me apaixonar?
Como não sofrer?

Se ao menos por um dia
Pudesse tê-la
Se ao menos uma vez
Pudesse sonhar

Você em meus braços 
Parece um sonho tão distante
Teus lábios tocando os meus
Parece um devaneio impossível

Se tudo se resume a você
Se meus pensamentos
Se minhas palavras
Se tudo

Não te esquece?
Como eu?

Mas eu sei que 
É impossível

Eu sofro por não te ter
E sofro por te amar

Mas te amar é tão
Bom e 
Você é tão
Tudo

Mas eu sei que 
É impossível

E tudo o que 
Há para fazer é
Sonhar

E esperar
Que um dia
Algo acabe

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Soberania

  Um assunto que eu tentei evitar o máximo possível. Não queria escrever mais sobre assuntos envolvidos à política neste blog, ainda mais sobre ESTE assunto, mas acho que a situação chegou num ponto insustentável. O que fazer com Cesare Battisti?
  Na década de 70, Battisti foi acusado de 4 assassinatos por um grupo de delatores de seu bando. Se ele não cometeu os assassinatos, participou, pelo menos, de seu planejamento, e isso faz com que ele seja co-autor dos crimes. Entretanto, como não acompanhamos o caso na época, não temos como afirmar nada disso. Temos que aceitar que a condenação dele seja "justa" (afinal de contas, a Itália é um país independente e suas decisões devem ser consideradas SOBERANAS). 
  Considerando que seja uma condenação "justa", passemos a analisar a parte que envolve o Brasil. Battisti, condenado na Itália, fugiu para a França, onde obteve asilo por um certo tempo. Tendo sua prisão decretada na França, veio para o Brasil, onde foi preso em 2007 e, desde então, tem vivido uma grande indecisão sobre seu futuro. Battisti deve ser extraditado ou não?
  Apesar de este ser um blog de opinião, a opinião do autor não vai contar neste artigo. Busquemos uma análise fria, técnica e despida de ideologias e paixões.
  Em 2007, o então Ministro da Justiça, Tarso Genro, concedeu asilo ao terrorista italiano Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua em sua terra natal por 4 assassinatos que ele diz não ter cometido. Desde então, muito se falou sobre o destino final de Battisti. 
  O caso foi para o Supremo Tribunal Federal, que chegou à conclusão de que o Chefe de Estado do país deveria tomar a decisão; entretanto, a Suprema Corte Brasileira recomendou que o Presidente extraditasse Battisti.
  Então, foi elaborado um parecer pela Advocacia Geral da União, recomendando ao Presidente que negasse a extradição. O Presidente seguiu o parecer da AGU e concedeu asilo ao terrorista italiano, causando revolta entre os italianos.
  Mas a história não acabou. O STF tem que julgar se a opinião do Presidente é válida. Funciona como a Câmara, quando esta vota um veto do Presidente da República a um determinado projeto. E isso vai demorar um certo tempo pra acontecer.
  Agora, cheguemos ao ponto que os leitores esperavam: Battisti deve, ou não, ser extraditado? Por quê?
 Em 2007, mesmo ano da prisão de Battisti, houve o Pan Americano do Rio de Janeiro, onde alguns pugilistas cubanos desertaram de sua delegação e ficaram no Brasil para fugir da ditadura castrista. O governo cubano pediu a extradição dos pugilistas; e o que o governo brasileiro fez? Extraditou-os no mesmo instante. Qual era seu crime? Querer liberdade.
  Battisti é um criminoso condenado. O governo brasileiro concede asilo a ele por motivações ideológicas. Se Battisti fosse um direitista "oprimido" por um governo de Esquerda, qual seria a reação do governo brasileiro? Battisti pode ser perseguido na Itália? Talvez. Mas a democracia e a soberania italianas devem ser respeitadas. 

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Padrão?

  Como deve ser uma garota? Existe algum padrão definido? Não.
  Mas uma garota deve ser bonita. Como diria Vinícius de Moraes: "As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental". Isso não faz com que sejamos fúteis; se amamos, amamos por inteiro: o interior e o exterior.
  Uma garota deve ser inteligente. Não adianta nada ser linda e não ter nenhuma cultura. É absurdo pensar em uma garota que não seja inteligente. Não quero apenas uma embalagem bonita. Quero conteúdo.
  Uma garota deve ser razoalmente parecida comigo. Seria estranho estar com uma garota cujos gostos são completamente diferentes dos meus, que gosta de outras músicas, outros filmes e que converse sobre outros assuntos.
  Uma garota deve ser pura. Aliás, todos os seres humanos devem ser puros. Mas o que é pureza? Pureza é não querer mal aos outros, pureza é não pensar mal dos outros, pureza é ter um coração bom.
 Uma garota deve ser carinhosa. Todos necessitamos de carinho. Em uma relação, o carinho é completamente imprescindível.
  Mas existe algum padrão definido pra como deve ser uma garota? Não. Então... 

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

O Último Post

Como deveria ser o último post do ano? Passei o dia todo pensando nisso. Pensei em fazer uma retrospectiva, mas não quero re-lembrar os acontecimentos de um ano tão horrível como 2010 foi. Pensei em escrever sobre o caso Cesare Battisti, mas não quero terminar o ano escrevendo sobre política. Pensei em escrever sobre futebol, mas esse não tem sido um tema agradável para os palmeirenses. 
O último post. O poeta quereria que seu último poema fose puro, ardente e terno. O cronista queria sua última crônica pura como o sorriso de um pai realizando o sonho da filha. Como deveria ser o último post de um blogueiro? 
Para responder isso, temos que pensar em algumas coisas. Qual é o objetivo de um blogueiro? Ou melhor, qual é o objetivo DESTE blogueiro? Por que este blog existe? Qual é o sentido da atividade de "bloguear"? Por que eu escrevo?
Será que é possível responder essas perguntas? Eu escrevo porque este é o sentido da minha vida. Eu nasci pra escrever. Não consigo mais imaginar minha vida sem escrever. Mas por que eu escolhi o blog para realizar isso? Poderia tentar escrever num jornal, ou tentar escrever um livro. Por que um blog?
Não sei. Mas eu sinto como se tivesse recebido uma missão. É assim que vejo este blog. O blog serve pra eu escrever minhas ideias loucas, minhas histórias, meus sentimentos, minhas opiniões. O blog é como um espelho do meu cérebro: frenético, hiperativo, bagunçado.
Então, é assim que eu quereria meu último post: com um ritmo acelerado, frenético; com a marca das minhas opiniões; que a pessoa lesse e, sem ninguém contar-lhe, que ela soubesse que é um texto meu. Assim eu quereria meu último post: meu.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Amor à Platão

  Tinha um olhar lindo. Seus olhos transmitiam pureza. Quando a vi, não conseguia parar de pensar em seu olhar. Aquilo ficou na minha cabeça por dias. Fazia de tudo para encontrá-la, mas parecia que o destino não queria isso. Procurei por ela na cidade toda. Andava e andava procurando-a.
  Não conseguia parar de pensar naquele olhar. Passava horas seguidas lembrando, maravilhado com a beleza daqueles lindos e serenos olhos. Como aquele olhar me transmitia tranquilidade. Como ela era linda. Será que encontraria palavras em nossa língua para descrever aquele olhar? Seriam olhos de ressaca como os machadianos olhos de Capitu? Não. Aquele olhar me transmitia certeza, não a dúvida. O mais interessante é que não consigo me lembrar da cor dos olhos dela. Apenas lembro a serenidade que eles me passavam.
  Lembro-me, também, da voz dela. Soava como a mais doce melodia já executada por mãos humanas. Suas palavras eram doces. Aliás, se existe uma palavra para descrevê-la é doçura. Como ela era doce. Não conseguia tirá-la de minha mente. Tudo me lembrava ela. Ela era linda. Precisava encontrá-la.
  A cada instante que passava, tudo piorava. A visão de seu rosto vinha de encontro ao meu pensamento sempre. Para mim, ela era a mais bela criatura de todo o mundo. Lembrava de seu perfume. Lembrava de sua voz, de seu olhar. Parecia que tudo o que havia nela era perfeito. Vê-la era uma necessidade.
   A insanidade começava a tomar conta de mim. Tudo era ela. As nuvens no céu, a música que eu ouvia, as pessoas que via na rua. O meu mundo era feito daquele olhar tão sereno. No meu coração, ela era perfeita. Estava apaixonado. Não. Mais do que isso. Estava obcecado. Precisava dela.
  Tinha visto aquela perfeição apenas umas poucas vezes. Mas precisava vê-la. Não era necessário beijá-la, ou mesmo tocá-la. A simples visão de sua face me satisfaria. Mais uma vez, saí na vã esperança de encontrá-la. Vagava sem destino, torcendo para que ela estivesse ali quando eu cruzasse a esquina. 
  Tinha perdido a esperança. Então, cruzei a esquina. Meu coração quase saiu pela boca. Era ela. A mais perfeita visão que um ser humano já teve. Estava linda. Era linda. Cumprimentei-a com um abraço e segui meu caminho, satisfeito, por vê-la. Era o que eu precisava.