Estaria errado ao dizer
Que todas as regras
Foram por você
Quebradas
Não
Tento construir o que faz bem
Porém perto de você tudo
Se torna tão supérfluo
E parece que nada
Mais existe
Só você
Será que você pensa em mim
Eu existo para você
Quem sou eu
Na sua
Mente
Tudo o que um dia foi
Certo hoje é dúvida
Todos os padrões
Mudaram e ainda
Mudam sempre
Me odiando por sentir
Pelo simples fato
De que você não
Sabe quem sou
E que sinto
Imagino agora fazer
Tal declaração
Diretamente
Para você
Sonho
Afinal que motivos
Você teria para
Simplesmente
Me olhar
E amar
Desta vez sem ligar para
Estilo e beleza apenas
Escrevo e prossigo
Escrevendo sem
Pensar em
Parar
E entro então mais uma vez
Em plena decadência
Entro outra vez em
Uma Descendente
Por não ser
O que você
Quer
Desprezo tudo e apenas
Penso nos ecos da
Minha mente hora
De refletir e
Então de uma
Vez por
Todas
Dar
Fim
domingo, 28 de julho de 2013
quarta-feira, 1 de maio de 2013
O Castelo
Sonhos
Desejos
Construo um
Castelo
Castelo
E imagino
A felicidade
A possibilidade
O futuro
Porém
Preso no presente
Em um momento
No qual
Não quero estar
O sentido
Qual é
Da vida
Clichês
Eu só posso
Imaginar
O que é o
Castelo
Deixe-me em paz
Não quero você aqui
Por que fez isso comigo
Sentido
Não existe
Meu castelo
É o meu horizonte
A alegria
Você era meu castelo
Quem é você
Eu achei que te conhecia
Mas não
Esqueço
Supero
É o que sempre faço
Cair de pé
Questão de honra
Apenas a esperar
O momento em que
Construírei
O castelo
Aí tudo voltará ao normal
Aí eu te conhecerei de verdade
Aí ficaremos juntos
Mas hoje
Não
Olho a linha do horizonte
O futuro parece mais perto
Porém a cada passo
Mais distante
Paradoxo
Ou não
O medo toma meu ser
Deixe ser
Deixe acontecer
E o castelo
Se forma a cada dia
À espera
Da mudança
Por que te quero tanto
Mistério
Meu cérebro é um
Turbilhão
O que acontece
Incompreensível
Mas um dia
Ah um dia
O castelo
De pé
Com você
E aí
Completo
Realizado
Partirei em paz
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Estudo Sobre Estórias
Não histórias
São o que quero
E o que anseio
Como uma parede de tijolos
Sendo levantada
Lentamente
Coloco palavras
Umas sobre
As outras
Decepcionado
Figura tão usada
Vamos lá Thiago
Você pode fazer melhor
Por que todas as
Estórias
Começam e terminam
Do mesmo jeito
Tão cansado de clichês
Do mainstream
E de tudo o que é
Comum
E muitas vezes
Eu sou o comum
Por que eu tenho que ser o comum
Não devo escrever sobre mim
Não se deve escrever em primeira pessoa
Será
Não existe um
Jeito certo de
Escrever
Existe liberdade
Na literatura
O tédio me ataca
Tudo é tão tedioso
Até os poemas
Só você me salva
Mas quem é
Você
Essa é minha busca
De todos os dias
Hoje só uma
Esperança
Um vislumbre de tudo o que pode
Ser
Mas amanhã
Quem sabe
Era uma vez uma estória
Reticências
Encontro-me feliz
Com você
No cenário ideal
Seguro sua mão
Te puxo pra perto
Te beijo
Começo a te despir
Reticências
Não é uma história comum
Sentado ao lado do que
Um dia
Foi
Alegria
Quem somos nós
domingo, 30 de dezembro de 2012
Poema de Sete Faces
desses
que vivem na sombra
disse:
Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As
casas espiam os homens
que
correm atrás de mulheres.
A
tarde talvez fosse azul,
não
houvesse tantos desejos.
O
bonde passa cheio de pernas:
pernas
brancas pretas amarelas.
Para
que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém
meus olhos
não
perguntam nada.
O
homem atrás do bigode
é
sério, simples e forte.
Quase
não conversa.
Tem
poucos, raros amigos
o
homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu
Deus, por que me abandonaste
se
sabias que eu não era Deus,
se
sabias que eu era fraco.
Mundo
mundo vasto mundo
se
eu me chamasse Raimundo
seria
uma rima, não seria uma solução.
Mundo
mundo vasto mundo,
mais
vasto é meu coração.
Eu
não devia te dizer
mas
essa lua
mas
esse conhaque
botam
a gente comovido como o diabo
Carlos Drummond de Andrade.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Bandeirismos Filosofias e o Fim do Mundo
Acordado
Insone
Pensando em tudo
O que deveria
Ter sido
E não foi
Bandeirismos à parte
Ou nem tanto
Já que o sonho
De Pasargada nunca
Morre
Única saída
Dançar um tango
Argentino
Perdão por novamente bandeirar
Falta
Acabo um e começo outro
Antes de terminar
Já penso no
Próximo
O que vem depois do fim
Pra onde vão as pessoas no
Fim da festa
Para onde
Eu
Vou depois da festa
Crio uma colcha
De retalhos
Literária
Estilo
Para quê
Metalinguagem
Me atrai
Talvez fruto da vaidade
Escrever sobre
Mim mesmo
Parece tão bom
Ando em círculos
Parece que
Nada me satisfaz
Crio
Destruo
Transformo
Copio
O fim se aproxima
Bandeira me inspirando
Penso
Com carinho
Ao seu lado tenho paz
Com você
Tudo se torna completo
O que fazer de minha vida
Futuro
Distante
Não há futuro
O fim
Está próximo
Só o agora
Importa
Deixem que o
Amanhã cuide de si mesmo
Respiro
Escrevo o que vem à mente
Tento ser
Inconsequente
Não faz meu tipo
Não é minha
Vocação
O fim está próximo
Não vou
Me preocupar com amanhã
Não vou fazer planos
Para o novo ano
Quando chegar
Vejo o que faço
Viver um dia de cada vez
Dar um passo de cada vez
Talvez sentir mais
Novamente penso
Mortes não ocorrem
Por pensamentos
Mas por sentimentos
Sufoco o que sinto
Mais uma vez
O que sinto
Não importa
O fim está próximo
Os maias
Não
O fim sempre
Está próximo
Como na música
Não há amanhã
Só há o agora
Isto é o que
Importa
E agora
Eu quero
Amanhã
Não importa
Porque o fim
Está próximo
Insone
Pensando em tudo
O que deveria
Ter sido
E não foi
Bandeirismos à parte
Ou nem tanto
Já que o sonho
De Pasargada nunca
Morre
Única saída
Dançar um tango
Argentino
Perdão por novamente bandeirar
Falta
Acabo um e começo outro
Antes de terminar
Já penso no
Próximo
O que vem depois do fim
Pra onde vão as pessoas no
Fim da festa
Para onde
Eu
Vou depois da festa
Crio uma colcha
De retalhos
Literária
Estilo
Para quê
Metalinguagem
Me atrai
Talvez fruto da vaidade
Escrever sobre
Mim mesmo
Parece tão bom
Ando em círculos
Parece que
Nada me satisfaz
Crio
Destruo
Transformo
Copio
O fim se aproxima
Bandeira me inspirando
Penso
Com carinho
Ao seu lado tenho paz
Com você
Tudo se torna completo
O que fazer de minha vida
Futuro
Distante
Não há futuro
O fim
Está próximo
Só o agora
Importa
Deixem que o
Amanhã cuide de si mesmo
Respiro
Escrevo o que vem à mente
Tento ser
Inconsequente
Não faz meu tipo
Não é minha
Vocação
O fim está próximo
Não vou
Me preocupar com amanhã
Não vou fazer planos
Para o novo ano
Quando chegar
Vejo o que faço
Viver um dia de cada vez
Dar um passo de cada vez
Talvez sentir mais
Novamente penso
Mortes não ocorrem
Por pensamentos
Mas por sentimentos
Sufoco o que sinto
Mais uma vez
O que sinto
Não importa
O fim está próximo
Os maias
Não
O fim sempre
Está próximo
Como na música
Não há amanhã
Só há o agora
Isto é o que
Importa
E agora
Eu quero
Amanhã
Não importa
Porque o fim
Está próximo
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Minha vida é você!
Caiu. Fazer o quê? Todos caem. Em 2008 o time da marginal caiu. Em 1990, o time do outro lado do muro caiu e, com uma virada de mesa, voltou no ano seguinte. Acontece.
Apenas vamos lembrar a história desse time. Vamos contar a história inteira, e não só os últimos doze anos. Vamos começar a exigir que contem a história desde 1914. Vamos fazer com que lembrem que esse time, que surgiu com o intuito de reunir toda a colônia italiana presente em São Paulo, ganhou seu primeiro troféu com apenas 3 anos de fundação, com uma vitória em cima daquele que viria a ser seu maior rival.
Em 1920, veio o primeiro campeonato. Um acontecimento que viria a se tornar rotina nos anos subsequentes. A década de 1930 foi excelente. Em 1933, a maior goleada do dérbi paulistano: oito a zero, com quatro gols de Romeu Pellicciari e três gols de Imparato.
Em 1939, começa a guerra. Alguns anos depois, o Brasil entra na guerra e a Itália se torna inimiga nacional. Com isso, fomos eleitos inimigos da nação, e o time do outro lado do muro tentou se aproveitar da situação para roubar todo o nosso patrimônio. O maior golpe que sofremos na nossa história. Tentaram acabar conosco. Nossos rivais, sempre que ganham um título, gostam de clamar "contra tudo e contra todos"; perdão, rivais, mas vocês não sabem o que é jogar contra tudo e contra todos. Não nos quiseram Palestra, nos tornamos Palmeiras, e nascemos para ser campeões. O primeiro jogo como Palmeiras foi a decisão do Campeonato Paulista de 1942, contra o time do outro lado do muro. Programaram uma grande vaia para quando nosso time entrasse em campo. Sabendo disso, nossos guerreiros adentraram o gramado com o pavilhão nacional, e o resultado foi uma calorosa salva de palmas. Dentro de campo, um massacre. No segundo tempo, quando já estava 3x1 para o Palmeiras, o juiz apontou um pênalti a nosso favor, e nossos inimigos, com medo de tomar uma goleada histórica, tomaram uma decisão covarde, da qual deveriam se envergonhar até hoje, e fugiram de campo. Nascia ali o Palmeiras. Campeão.
Em 1950 e 1951, um dos melhores biênios de nossa história. Conquistamos as cinco coroas. Duas vezes campeão paulista, campeão do Rio-São Paulo, campeão do Torneio Cidade de São Paulo e campeão mundial. Não adianta espernearem, rivais. Foi mundial. O mundo inteiro sabia. Fomos nós, o time que menos de uma década antes era acusado de ser inimigo da pátria, que restauramos o orgulho nacional após a vergonha de 1950. O Brasil inteiro comemorou conosco após aquele 2x2 com a Juventus de Turim no Maracanã e as manchetes proclamavam "Palmeiras campeão mundial de 'football'".
No fim da década de 1950, sugia o maior time da história, com o maior atleta do século: o Santos, de Pelé. Em 1959 o primeiro grande encontro entre Pelé e Palmeiras: o Supercampeonato Paulista. Em três grandes jogos, o Palmeiras se sagrou supercampeão e venceu a primeira grande batalha contra o Santos de Pelé. Ao longo da década de 1960, o Santos teria se sagrado campeão paulista por dez vezes seguidas se não fosse por três títulos do Palmeiras. Não esqueçamos de mencionar, também, que o Palmeiras foi o primeiro time brasileiro a chegar em uma final de Libertadores e que o Palmeiras foi quatro vezes campeão nacional na década de 1960.
Em 1972, na segunda edição do Campeonato Brasileiro com esse nome, Palmeiras campeão. Em 1973, dose repetida, e o primeiro bicampeão do recém-criado campeonato.
Menção honrosa para a Academia e seu maior craque, o Divino. O atleta que mais vezes vestiu tão gloriosa camisa, e tão glorioso número.
Não gostaria de falar sobre a década de 1980, mas como eu falei de contar a história inteira, vamos comentar. Foi a década perdida. Uma década de vergonhas, em que as nossas maiores conquistas foram um 5x1 e um gol olímpico de Éder, ambos sobre o maior rival. Entretanto, sempre que se fala da década de 1980, o que todos os palmeirenses lembram é aquela fatídica final contra a Inter de Limeira em 1986, em que éramos amplamente favoritos e acabamos perdendo.
Mas aí veio a década de 1990 e a Parmalat. Aí conquistamos algumas das nossas maiores glórias. Em 1993 e 1994, outro grande biênio da história verde: bicampeonatos paulista e brasileiro e um Torneio Rio-São Paulo. Em 1996, a maior campanha do profissionalismo brasileiro: o time que marcou 100 gols em um campeonato paulista, campeão com apenas uma derrota. Em 1998, o nono título nacional, a primeira Copa do Brasil, com aquele gol chorado de Oséas na final. Em 1999, nossa maior glória, o título que ainda traz lágrimas aos meus olhos sempre que recordo: a Libertadores, que começou a canonizar o maior ídolo de nossa história, São Marcos.
Virou o século. E as glórias secaram. Logo em 2002, o rebaixamento. Lembro as lágrimas que derramei aquele dia na chácara do meu vô. Aquele dia, como hoje, não assisti o jogo. Lá, pela proteção de meu pai; hoje, por compromissos diversos. Em 2003, disputamos a Série B com honra e sob a proteção de um Santo, que recusou uma gorda proposta gunner para disputar a segunda divisão com seu time de coração. O resto da década não nos trouxe muitas alegrias. As maiores foram o rebaixamento do rival em 2007 e o título paulista em 2008.
Em 2010, nosso maior comandante voltou ao time e, com ele, a esperança de dias melhores. Só ilusão. Continuamos reféns de times medíocres e diretorias incompetentes. Ainda assim, como o último fôlego de um doente terminal, ganhamos o nosso décimo-primeiro título nacional: o bicampeonato da Copa do Brasil, que nos deixou, indiscutivelmente, como os maiores campeões do país.
E aqui estamos nós, menos de seis meses depois, amargando outro rebaixamento. Porém, mesmo assim, para tristeza de todos os que tripudiam, esse time nunca vai ser pequeno! E a maior prova é como vocês tripudiam. Se fôssemos pequenos e não incomodássemos, vocês não nos provocariam tanto. Podem provocar. O futebol é isso. Faz parte. Quando os times de vocês estão mal, nós também provocamos. É assim mesmo.
Mas o objetivo deste artigo é dizer o seguinte: caiu? Não tem problema. Nós te levantamos. E meu amor pelo Palmeiras não tem divisão. Série B, C, D, não importa. Palmeiras, SEMPRE vou te amar.
PALMEIRAS, MINHA VIDA É VOCÊ!
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Os Três Direitos
Como libertários, temos o dever sagrado de proteger três elementos primordiais de nossa civilização: a vida, a liberdade e a propriedade.
A vida, porque é o bem mais sagrado de todos.
A liberdade, porque uma vida sem liberdade não vale a pena ser vivida.
Todos os seres humanos com um mínimo de caráter pretendem defender esses dois. A controvérsia está na propriedade. Por que defender a propriedade?
Primeiramente, porque sem propriedade não há vida. A primeira propriedade de um ser humano é o seu próprio corpo. Logo, sempre que algum "esclarecido" clamar "abaixo a propriedade privada", tenha em mente que o próximo objetivo dele será tirar a liberdade que você tem sobre o próprio corpo.
Em segundo lugar, porque a propriedade é a combinação da vida com a liberdade. Se você é um ser humano vivo e pensante, você deve ter a liberdade de se apoderar do que quiser, DESDE QUE NÃO TENHA SIDO TOMADO POR ALGUÉM ANTES. Quem disser o contrário, na verdade, não está fazendo nada além de apontar uma arma para você dizendo "você não pode ter nada". Ilustro da seguinte forma: imagine uma sociedade comunista, ou anarco-comunista, em que supostamente não há estado; em tais sociedades, todos devem ser iguais, não podendo haver nenhuma distinção entre os indivíduos; logo, não pode haver propriedade privada; mas se eu quiser me apoderar de um terreno que não pertence a ninguém, alguém irá me impedir, pelo simples fato de que alguém terá menos do que eu; logo, estão talhando a minha liberdade.
Em suma, não existe vida e nem liberdade se não houver a propriedade privada. Quem diz o contrário está mentindo.
Concluindo, existem três direitos que devem ser protegidos a todo custo: o direito à vida, o direito à liberdade e o direito à propriedade. Não há outra forma de se viver.
domingo, 7 de outubro de 2012
Missão
Nada
mais importa
Só
você
E
eu
Parados
no tempo
Absortos
em um universo paralelo
Perdidos
em uma linha
Distante
Do
convencional
Memorizo
As
linhas
Os
detalhes
Os
sons
As
cores
É
especial
É
único
É
maravilhoso
Te
amo
Tanto
Não
quero isso
Não
quero ser poeta dos amores
Quero
ser o poeta
Da
liberdade
Quero
ser o poeta crítico
Quero
ser aquele
Que
muda
O
mundo
Mas
eu te amo
E
quero
Preciso
Contar
ao mundo
O
que sinto
Quando
te toco
Quando
te vejo
Quando
te sinto
Tema
recorrente
Dúvida
que me assola
Tantas
e tantas vezes
Dane-se
Vou
escrever
Simplesmente
Porque
me foi dada uma missão
Escrever
Apenas
E
é o que farei
Escrever
Somente
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Conversão de Sally Beth Roe em "Este Mundo Tenebroso 2"
Uma questão
mais imediata. Sally surpreendeu-se um tanto com seu tom
desapaixonado, prático, como se ela fosse datilografar uma carta ou
fazer uma compra. Na realidade, estava por entrar num relacionamento
que podia potencialmente alterar o curso de toda a sua vida,
reestruturar totalmente seu conceito do mundo, e trazer à
consideração cada questão moral, cada ato, cada decisão e cada
atitude de todos os seus anos anteriores; suas mais profundas
cicatrizes e emoções, as áreas mais pessoais e resguardadas
de sua vida, estariam sendo expostas. O relacionamento seria um
confronto, talvez devastador.
Pelo menos, era
isso o que ela esperava do acordo, e por esse motivo havia ponderado
a ação a noite toda, pesando os prós e os contras, considerando os
custos, testando e eliminando as opções. Tornou-se claro para ela
que teria de pagar um preço enorme em termos de ego e vontade
própria, e que o acordo traria consigo implicações assombrosas
para o futuro. Mas todas as dúvidas foram examinadas e respondidas,
cada objeção foi ouvida com imparcialidade, e entre os debates
ferozes e acalorados que Sally travou consigo mesma no tribunal de
sua própria consciência, ela dormia pensando neles.
Quando a luz do
dia espiou pelas janelas do ônibus, ela já havia resolvido em sua
mente que, considerando todas as coisas, esse importante compromisso
seria a coisa mais lógica, mais prática e mais desejável que podia
fazer, as vantagens excedendo em muito as desvantagens.
Fazia
silêncio no parque, com poucas pessoas por ali além de uma matrona
que levava o seu poodle para
dar uma volta e alguns jovens executivos correndo ao trabalho. Ela
mudou-se para outro banco mais perto do laguinho, totalmente exposto
ao sol matutino, e sentou-se, a mochila ao seu lado.
Então ela
deu-se uma boa e longa olhada. Vestida de calças rancheiras e uma
jaqueta azul, com um gorro de meia na cabeça e uma mochila ao lado,
parecia uma nômade sem lar.
E era.
Parecia
solitária e sozinha.
E era.
Também parecia
pequena e insignificante num mundo muito grande, e isso tinha mais
peso em sua mente do que qualquer outra coisa. Como deveria parecer a
um Deus grande o bastante para ter criado esse globo enorme no qual
ela se sentava? Como um micróbio na lâmina de um microscópio? Como
chegaria Ele a encontrá-la?
Bem, tudo o que
estava ao seu alcance era fazer um pouco de barulho, clamar por ele,
criar um distúrbio, enviar alguns foguetes de sinalização verbais.
Talvez pudesse fazer com que ele a visse ou ouvisse.
Ela colocou o
caderno no colo e voltou as páginas até chegar a uma de notas que
havia preparado. Agora... onde começar?
Falou baixinho,
mal formando as palavras com os lábios. Sentia-se acanhada e estava
disposta a admiti-lo.
— Umm... alô.
— Talvez ele a ouvisse, talvez não. Ela falou novamente. — Alô.
— Isso seria o suficiente. — Imagino que saiba quem sou, mas me
apresentarei assim mesmo. Parece a coisa certa a fazer. Meu nome é
Sally Beth Roe, e acho que a gente se refere à sua pessoa como...
Deus. Ou talvez Jesus. Já ouvi isso ser feito. Ou... Senhor.
Compreendo que atende por diversos títulos, e por isso espero que me
permitirá tatear um tantinho. Faz muito tempo desde a última vez em
que tentei orar.
— Umm... de
qualquer forma, gostaria de encontrar-me com o Senhor hoje, e
discutir a minha vida e que possível papel o Senhor poderia desejar
desempenhar nela. E obrigada desde já por seu tempo e atenção.
Ela olhou
fixamente as anotações. Havia chegado até ali. Acreditando que
havia prendido a atenção de Deus, ela prosseguiria com o próximo
item.
— Para
revisar rapidamente qual o motivo desta reunião, acho que o Senhor
se lembra da nossa última visita, há aproximadamente trinta anos,
na... Igreja Batista de Monte Sião, em Ireka, na Califórnia. Quero
que o
Senhor saiba
que eu realmente gostava das horas que passávamos juntos então. Sei
que não falei nada a respeito disso em bastante tempo, e peço
desculpas. Foram horas preciosas, e agora são minhas recordações
favoritas. Alegro-me por tê-las.
— Assim,
suponho que o Senhor esteja querendo saber o que aconteceu, e
porque eu desfiz o nosso relacionamento. Bem, não me lembro do que
aconteceu exatamente. Sei que os tribunais me devolveram à minha
mãe, e ela não estava disposta a levar-me à escola dominical como
a tia Bárbara fazia, e então fui morar num lar temporário, e
depois... Bem, qualquer que fosse o caso, nossos tempos juntos
simplesmente não continuaram, e isso é tudo... Bem, acho que isso
são águas passadas...
Sally
deteve-se. Havia algum tipo de despertar ocorrendo dentro de si? Deus
podia ouvi-la. Ela sentia isso; apenas sabia-o de algum modo. Aquilo
era estranho. Era algo novo.
— Bem... —
Agora ela havia perdido o fio da meada. — Acho que sinto que o
Senhor me está ouvindo, por isso quero agradecer-lhe. — Ela
conseguiu retomar os pensamentos. — Oh, de qualquer forma, acho que
eu era uma jovem enraivecida, e talvez tenha-o culpado por minhas
tristezas, mas... de qualquer forma, resolvi que podia cuidar de mim
mesma, e assim foi que aconteceu basicamente a maior parte da minha
vida. Estou certa de que o Senhor conhece a história: tentei o
ateísmo, e depois o humanismo com uma forte dose de evolução
incluída, e isso deixou-me vazia e tornou sem sentido a minha vida;
então, em seguida, tentei o humanismo e misticismo cósmicos, e eles
serviram para muitos anos de ilusões e tormentos sem objetivo, e,
para falar a verdade, para o apuro em que estou metida no momento,
inclusive o fato de ter sido condenada como criminosa. O Senhor sabe
tudo a respeito disso.
Muito bem,
Sally, agora aonde vai? É melhor tratar logo do que realmente
importa.
— Bem, de
qualquer forma, acho que o que tentava dizer é que Bernice, lá em
Ashton, estava certa, pelo menos no que diz respeito a Sally Roe. Eu
tenho um problema moral. Li um pouco a Bíblia. Umm... é um bom
livro... e um belo trabalho — e vim a perceber que o Senhor é um
Deus de moral, de ética, de absolutos. Acho que é isso o que
"santo" significa. E estou de fato contente por isso,
porque então podemos saber onde ficam os nossos limites; podemos
saber qual é a nossa posição...
— Estou
enrolando, sei disso.
Sally parou
para pensar. Como poderia dizê-lo? Exatamente o que era que desejava
de Deus?
— Acho...
— Oh-oh. Emoção. Talvez seja por isso que
não consigo chegar ao que preciso dizer. —
Acho que preciso perguntar-lhe a respeito do seu amor. Sei que ele
existe; a Sra. Gunderson sempre falava a respeito, e também a minha
tia Bárbara, e agora tive um curto vislumbre dele novamente em
minhas conversas com Bernice e com aquele pastor, Hank, o Encanador.
Preciso saber se o Senhor...
Ela parou.
Lágrimas se lhe formavam no canto dos olhos. Ela as enxugou e
respirou fundo diversas vezes. Isso deveria ser prático, não alguma
experiência emocional, subjetiva da qual ela pudesse duvidar mais
tarde.
— Desculpe.
Isto é difícil. Há uma porção de anos envolvidos, uma porção
de emoções. — Outra respiração profunda. — De qualquer forma,
eu tentava dizer que... eu gostaria muito que o Senhor me aceitasse.
— Ela parou e deixou que o aperto na garganta melhorasse. —
Porque... me disseram que o Senhor me ama, e que arranjou para que
todos os meus erros, minhas transgressões morais, fossem pagos e
perdoados. Vim a compreender que Jesus morreu para pagar a minha
culpa, para satisfazer a sua justiça santa. Umm... aprecio isso.
Obrigada por esse tipo de amor.
— Mas eu...
quero entrar nesse tipo de relacionamento com o Senhor. De algum
jeito. Eu o ofendi, e ignorei, e tentei ser eu mesma um deus, não
importa quanto isso lhe possa parecer estranho. Servi a outros
espíritos, e matei minha própria filha, e trabalhei muito a fim de
desviar muita gente...
As lágrimas
vinham de novo. Ora essa. Considerando o assunto em questão, umas
lágrimas não seriam impróprias.
— Mas se o
Senhor me quiser... se apenas me aceitar, eu estarei mais que
disposta a entregar-lhe tudo o que sou, e tudo o que tenho, valha o
quanto valer. — Palavras de trinta anos antes vieram-lhe à mente,
e captaram perfeitamente os seus sentimentos: — Jesus...
Dessa vez ela
não pôde conter as emoções. O rosto corou, os olhos se encheram,
e ela teve medo de continuar.
Mas continuar
ela continuou, mesmo enquanto a voz falhava, as lágrimas lhe
escorriam pelas faces, enquanto o corpo principiava a tremer.
— Jesus...
quero que o Senhor entre no meu coração. Quero que o Senhor me
perdoe. Por favor, perdoe-me.
Ela chorava e
não conseguia parar. Tinha de sair daquele lugar. Não podia
permitir que alguém a visse assim.
Agarrou a
mochila e apressou-se para longe do laguinho, saindo da calçada e
entrando no meio de umas árvores próximas. Debaixo do abrigo das
folhas novas e primaveris, ela encontrou uma pequena clareira e caiu
de joelhos sobre o chão fresco, seco. Com uma nova liberdade que
esse esconderijo trazia, o coração de pedra tornou-se um coração
de carne, os mais profundos clamores daquele coração tornaram-se
uma fonte, e ela e o Senhor Deus começaram a falar acerca de coisas
enquanto os minutos passavam suavemente, despercebidos, e o mundo ao
seu redor perdia a importância.Em cima, como se outro sol acabasse
de nascer, as trevas se abriram, e raios puros, brancos, atravessaram
as copas das árvores, inundando Sally Beth Roe com uma luz
celestial, brilhando através do seu coração, seu espírito mais
íntimo, obscurecendo seu vulto com um fogo ofuscante de santidade.
Lentamente, sem sentir, sem som, ela acomodou-se para a frente, o
rosto no chão, o espírito transbordando com a presença de Deus.
Em toda a sua
volta, como raios de uma roda assombrosa, como raios de luz emanando
de um sol, lâminas angelicais descansavam no chão, as pontas
voltadas na direção dela, os cabos estendidos para fora, seguros
nos punhos fortes de centenas de nobres guerreiros que se ajoelhavam
em círculos perfeitos e concêntricos de glória, luz e adoração a
Deus, as cabeças no chão, as asas estendidas na direção do céu
como um jardim florescente e animado de chamas. Eles mantinham
silêncio, os corações cheios de temor santo.
Como em
inúmeras vezes no passado, em inúmeros lugares, com assombro
maravilhoso, inescrutável, o Cordeiro de Deus estava no meio deles,
o Verbo de Deus, e mais: o Verbo final, o fim de todas as discussões
e desafios, o Criador e a Verdade que sustenta toda a criação — e
mais maravilhoso que tudo, e mais inescrutável de tudo, o Salvador;
um título que os anjos sempre contemplariam e com o qual sempre se
maravilhariam, mas que somente a humanidade podia conhecer e
compreender.
Ele havia vindo
para ser o Salvador daquela mulher. Ele a conhecia pelo nome; e
falando-lhe o nome, ele a tocou.
E os pecados
dela desapareceram.
Um farfalhar
começou na primeira fileira de anjos, depois na seguinte, e depois,
como uma onda arremetendo para fora, as asas sedosas de fileira em
fileira de guerreiros arrepanhou o ar, elevando um bramido e
soerguendo os anjos sobre seus pés. Os guerreiros seguraram as
espadas na direção dos Céus, uma floresta de lâminas chamejantes,
e puseram-se a bradar em júbilo tumultuado, as vozes ribombando e
sacudindo todo o reino espiritual.
Guilo, tão
brilhantemente glorificado como jamais o fora, tomou seu lugar acima
de todos eles, e brandiu a espada à volta em arcos chamejantes
enquanto bradava:
— Digno é o
Cordeiro!
— Digno é o
Cordeiro! — trovejaram os guerreiros.
— Digno é o
Cordeiro! — bradou Guilo mais alto ainda.
— Digno é o
Cordeiro! — responderam todos.
— Pois foi
morto!
— Pois foi
morto!Guilo apontou a espada a Sally Beth Roe, prostrada, o rosto no
chão, ainda em comunhão com o seu recém-descoberto Salvador.
— E com seu
sangue ele comprou para Deus a mulher, Sally Beth Roe! As espadas
ondularam, e sua luz trespassou as trevas assim como um
relâmpago
trespassa a noite.
— Ele comprou
Sally Beth Roe!
— Digno é o
Cordeiro que foi morto — principiou Guilo, e então todos juntos
cantaram essas palavras com vozes que sacudiram a terra — de
receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória,
e louvor!
Então ouviu-se
outro rugido, de vozes e de asas, e outro relampejar de centenas de
espadas. As asas se firmaram, e os céus encheram-se com guerreiros,
rodopiando, gritando, aclamando, adorando, sua luz inundando a
terra por quilômetros ao redor.
***
A quilômetros
dali, alguns dos demônios de Destruidor cobriram os olhos contra a
luz ofuscante.
— Oh, não! —
disse um deles. — Outra alma redimida!
— Um de
nossos prisioneiros liberto! — lamentou outro.
Um espia
rápido, de olhos penetrantes, retornou depois de ter ido ver mais de
perto.
— Quem e
desta vez? — perguntaram eles. O espírito respondeu:
— Vocês não
vão gostar da notícia!
***
Tal e Guilo se
abraçaram, saltando, rodopiando, rindo.
— Salva!
Sally Beth Roe está salva! Nosso Deus a tem enfim!
Eles
continuaram, juntamente com seus guerreiros, a manter forte e
brilhante a barreira em redor dela, assegurando que a comunhão da
mulher com o Senhor prosseguisse sem perturbação.
O tempo passou,
naturalmente, mas ninguém parecia notar ou importar-se.
Mais tarde —
ela não sabia quanto mais tarde — Sally pressionou as palmas das
mãos contra a terra e ergueu-se lentamente até sentar-se, limpando
folhas secas e húmus das roupas e usando um lenço para enxugar o
rosto. Ela havia passado por uma experiência incomum, perfeitamente
maravilhosa, e o efeito ainda persistia. Uma mudança, uma
restauração profunda, pessoal, moral, havia ocorrido, não apenas
em suas percepções subjetivas, mas de fato. Isso era algo novo,
algo verdadeiramente extraordinário.
— Então isto
deve ser o que eles querem dizer com "ser salva" — falou
ela em voz alta.As coisas estavam diferentes. A Sally Roe que
havia-se escondido nesse bosque não era a mesma Sally Roe que estava
agora sentada nas folhas, uma bagunça trêmula, pasmada, coberta de
lágrimas.
Antes, ela
havia-se sentido perdida e sem objetivo. Agora sentia-se segura,
resguardada nas mãos de Deus.
Antes, sua vida
não tinha significado. Agora tinha, com mais propósito e
significado ainda para ser descoberto.
Antes, ela
havia estado oprimida e sobrecarregada de culpa. Agora estava limpa.
livre. Perdoada.
Antes, ela se
sentia muito sozinha. Agora, tinha um Amigo mais íntimo do que
qualquer outro.
***
Quanto aos seus
velhos amigos, os atormentadores...
Fora da
barreira, jogados por ali como lixo num depósito de detritos,
Desespero, Morte, Loucura, Suicídio e Medo, amuados, estavam nos
arbustos, incapazes de voltar. Eles se entreolharam, prontos para um
bate-boca se algum se atrevesse a dizer a primeira palavra.
Estavam fora.
Vencidos. Acabados. Sem mais esta nem aquela. De alguma forma, assim
que ela se tornou filha de Deus, começou a firmar os direitos e
autoridade que tinha como tal. Não disse muito, não fez um discurso
rebuscado. Simplesmente ordenou-lhes que saíssem da sua vida.
— Ela aprende
depressa — disse Desespero.
Os outros
cuspiram nele apenas por ter dito aquilo.
***
— Isto é
maravilhoso — disse ela consigo mesma, rindo de espanto e êxtase.
— Simplesmente maravilhoso!
Tal e Guilo
observavam, gozando cada momento.
— A palavra
do testemunho dela e o sangue do Cordeiro — disse Tal. Guilo
assentiu com a cabeça. — São os dois.
...
Tal desfraldou
as asas com o som do esboroar de uma onda do oceano. Ele soergueu bem
alto a espada, e todos fizeram o mesmo de modo que o Parque Lakeland
foi inundado pela luz tremeluzente.
— Pelos
santos de Deus e pelo Cordeiro!
— Pelos
santos de Deus e pelo Cordeiro!
Frank Peretti
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Affair Poético
Ah musa que saudade
Como senti
Tua falta
Nas noites insones
Nos dias tediosos
Nas tardes infelizes
Nos domingos desesperados
Não tens ideia
De como fizeste falta
A esse pobre coitado
Condenado
A te esperar
E vagar
À tua procura
Eternamente
Não faças
Mais isso
Minha musa
Sabes de minha
Condição
De apaixonado
Que sou
Do desespero
Que me vem
Sempre que
Não te vejo
Será que
Para sempre
Terei que viver em função
De teus caprichos
Tenha dó
Minha musa
Pense no
Que já fiz
Por ti
Dos sacrifícios
Das privações por
Que passei
Apareça sempre
Que eu te veja
Não apenas quando te convém
Mas sempre
Porque é quando
Te quero
Sempre
Como senti
Tua falta
Nas noites insones
Nos dias tediosos
Nas tardes infelizes
Nos domingos desesperados
Não tens ideia
De como fizeste falta
A esse pobre coitado
Condenado
A te esperar
E vagar
À tua procura
Eternamente
Não faças
Mais isso
Minha musa
Sabes de minha
Condição
De apaixonado
Que sou
Do desespero
Que me vem
Sempre que
Não te vejo
Será que
Para sempre
Terei que viver em função
De teus caprichos
Tenha dó
Minha musa
Pense no
Que já fiz
Por ti
Dos sacrifícios
Das privações por
Que passei
Apareça sempre
Que eu te veja
Não apenas quando te convém
Mas sempre
Porque é quando
Te quero
Sempre
Assinar:
Postagens (Atom)

