quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Devaneio

"Estranho seria se eu não 
Me apaixonasse por você"
(Nando Reis)

Por que me apaixonar por você?
Por que não me apaixonar por você?

Se tua beleza
Se tua doçura
Se você

É tão linda
Tão intensa
Tão doce

Como não me apaixonar?
Como não sofrer?

Se ao menos por um dia
Pudesse tê-la
Se ao menos uma vez
Pudesse sonhar

Você em meus braços 
Parece um sonho tão distante
Teus lábios tocando os meus
Parece um devaneio impossível

Se tudo se resume a você
Se meus pensamentos
Se minhas palavras
Se tudo

Não te esquece?
Como eu?

Mas eu sei que 
É impossível

Eu sofro por não te ter
E sofro por te amar

Mas te amar é tão
Bom e 
Você é tão
Tudo

Mas eu sei que 
É impossível

E tudo o que 
Há para fazer é
Sonhar

E esperar
Que um dia
Algo acabe

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Soberania

  Um assunto que eu tentei evitar o máximo possível. Não queria escrever mais sobre assuntos envolvidos à política neste blog, ainda mais sobre ESTE assunto, mas acho que a situação chegou num ponto insustentável. O que fazer com Cesare Battisti?
  Na década de 70, Battisti foi acusado de 4 assassinatos por um grupo de delatores de seu bando. Se ele não cometeu os assassinatos, participou, pelo menos, de seu planejamento, e isso faz com que ele seja co-autor dos crimes. Entretanto, como não acompanhamos o caso na época, não temos como afirmar nada disso. Temos que aceitar que a condenação dele seja "justa" (afinal de contas, a Itália é um país independente e suas decisões devem ser consideradas SOBERANAS). 
  Considerando que seja uma condenação "justa", passemos a analisar a parte que envolve o Brasil. Battisti, condenado na Itália, fugiu para a França, onde obteve asilo por um certo tempo. Tendo sua prisão decretada na França, veio para o Brasil, onde foi preso em 2007 e, desde então, tem vivido uma grande indecisão sobre seu futuro. Battisti deve ser extraditado ou não?
  Apesar de este ser um blog de opinião, a opinião do autor não vai contar neste artigo. Busquemos uma análise fria, técnica e despida de ideologias e paixões.
  Em 2007, o então Ministro da Justiça, Tarso Genro, concedeu asilo ao terrorista italiano Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua em sua terra natal por 4 assassinatos que ele diz não ter cometido. Desde então, muito se falou sobre o destino final de Battisti. 
  O caso foi para o Supremo Tribunal Federal, que chegou à conclusão de que o Chefe de Estado do país deveria tomar a decisão; entretanto, a Suprema Corte Brasileira recomendou que o Presidente extraditasse Battisti.
  Então, foi elaborado um parecer pela Advocacia Geral da União, recomendando ao Presidente que negasse a extradição. O Presidente seguiu o parecer da AGU e concedeu asilo ao terrorista italiano, causando revolta entre os italianos.
  Mas a história não acabou. O STF tem que julgar se a opinião do Presidente é válida. Funciona como a Câmara, quando esta vota um veto do Presidente da República a um determinado projeto. E isso vai demorar um certo tempo pra acontecer.
  Agora, cheguemos ao ponto que os leitores esperavam: Battisti deve, ou não, ser extraditado? Por quê?
 Em 2007, mesmo ano da prisão de Battisti, houve o Pan Americano do Rio de Janeiro, onde alguns pugilistas cubanos desertaram de sua delegação e ficaram no Brasil para fugir da ditadura castrista. O governo cubano pediu a extradição dos pugilistas; e o que o governo brasileiro fez? Extraditou-os no mesmo instante. Qual era seu crime? Querer liberdade.
  Battisti é um criminoso condenado. O governo brasileiro concede asilo a ele por motivações ideológicas. Se Battisti fosse um direitista "oprimido" por um governo de Esquerda, qual seria a reação do governo brasileiro? Battisti pode ser perseguido na Itália? Talvez. Mas a democracia e a soberania italianas devem ser respeitadas. 

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Padrão?

  Como deve ser uma garota? Existe algum padrão definido? Não.
  Mas uma garota deve ser bonita. Como diria Vinícius de Moraes: "As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental". Isso não faz com que sejamos fúteis; se amamos, amamos por inteiro: o interior e o exterior.
  Uma garota deve ser inteligente. Não adianta nada ser linda e não ter nenhuma cultura. É absurdo pensar em uma garota que não seja inteligente. Não quero apenas uma embalagem bonita. Quero conteúdo.
  Uma garota deve ser razoalmente parecida comigo. Seria estranho estar com uma garota cujos gostos são completamente diferentes dos meus, que gosta de outras músicas, outros filmes e que converse sobre outros assuntos.
  Uma garota deve ser pura. Aliás, todos os seres humanos devem ser puros. Mas o que é pureza? Pureza é não querer mal aos outros, pureza é não pensar mal dos outros, pureza é ter um coração bom.
 Uma garota deve ser carinhosa. Todos necessitamos de carinho. Em uma relação, o carinho é completamente imprescindível.
  Mas existe algum padrão definido pra como deve ser uma garota? Não. Então... 

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

O Último Post

Como deveria ser o último post do ano? Passei o dia todo pensando nisso. Pensei em fazer uma retrospectiva, mas não quero re-lembrar os acontecimentos de um ano tão horrível como 2010 foi. Pensei em escrever sobre o caso Cesare Battisti, mas não quero terminar o ano escrevendo sobre política. Pensei em escrever sobre futebol, mas esse não tem sido um tema agradável para os palmeirenses. 
O último post. O poeta quereria que seu último poema fose puro, ardente e terno. O cronista queria sua última crônica pura como o sorriso de um pai realizando o sonho da filha. Como deveria ser o último post de um blogueiro? 
Para responder isso, temos que pensar em algumas coisas. Qual é o objetivo de um blogueiro? Ou melhor, qual é o objetivo DESTE blogueiro? Por que este blog existe? Qual é o sentido da atividade de "bloguear"? Por que eu escrevo?
Será que é possível responder essas perguntas? Eu escrevo porque este é o sentido da minha vida. Eu nasci pra escrever. Não consigo mais imaginar minha vida sem escrever. Mas por que eu escolhi o blog para realizar isso? Poderia tentar escrever num jornal, ou tentar escrever um livro. Por que um blog?
Não sei. Mas eu sinto como se tivesse recebido uma missão. É assim que vejo este blog. O blog serve pra eu escrever minhas ideias loucas, minhas histórias, meus sentimentos, minhas opiniões. O blog é como um espelho do meu cérebro: frenético, hiperativo, bagunçado.
Então, é assim que eu quereria meu último post: com um ritmo acelerado, frenético; com a marca das minhas opiniões; que a pessoa lesse e, sem ninguém contar-lhe, que ela soubesse que é um texto meu. Assim eu quereria meu último post: meu.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Amor à Platão

  Tinha um olhar lindo. Seus olhos transmitiam pureza. Quando a vi, não conseguia parar de pensar em seu olhar. Aquilo ficou na minha cabeça por dias. Fazia de tudo para encontrá-la, mas parecia que o destino não queria isso. Procurei por ela na cidade toda. Andava e andava procurando-a.
  Não conseguia parar de pensar naquele olhar. Passava horas seguidas lembrando, maravilhado com a beleza daqueles lindos e serenos olhos. Como aquele olhar me transmitia tranquilidade. Como ela era linda. Será que encontraria palavras em nossa língua para descrever aquele olhar? Seriam olhos de ressaca como os machadianos olhos de Capitu? Não. Aquele olhar me transmitia certeza, não a dúvida. O mais interessante é que não consigo me lembrar da cor dos olhos dela. Apenas lembro a serenidade que eles me passavam.
  Lembro-me, também, da voz dela. Soava como a mais doce melodia já executada por mãos humanas. Suas palavras eram doces. Aliás, se existe uma palavra para descrevê-la é doçura. Como ela era doce. Não conseguia tirá-la de minha mente. Tudo me lembrava ela. Ela era linda. Precisava encontrá-la.
  A cada instante que passava, tudo piorava. A visão de seu rosto vinha de encontro ao meu pensamento sempre. Para mim, ela era a mais bela criatura de todo o mundo. Lembrava de seu perfume. Lembrava de sua voz, de seu olhar. Parecia que tudo o que havia nela era perfeito. Vê-la era uma necessidade.
   A insanidade começava a tomar conta de mim. Tudo era ela. As nuvens no céu, a música que eu ouvia, as pessoas que via na rua. O meu mundo era feito daquele olhar tão sereno. No meu coração, ela era perfeita. Estava apaixonado. Não. Mais do que isso. Estava obcecado. Precisava dela.
  Tinha visto aquela perfeição apenas umas poucas vezes. Mas precisava vê-la. Não era necessário beijá-la, ou mesmo tocá-la. A simples visão de sua face me satisfaria. Mais uma vez, saí na vã esperança de encontrá-la. Vagava sem destino, torcendo para que ela estivesse ali quando eu cruzasse a esquina. 
  Tinha perdido a esperança. Então, cruzei a esquina. Meu coração quase saiu pela boca. Era ela. A mais perfeita visão que um ser humano já teve. Estava linda. Era linda. Cumprimentei-a com um abraço e segui meu caminho, satisfeito, por vê-la. Era o que eu precisava.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Uma Análise Sobre os Reis Magos

Dos elementos presentes no nascimento de Jesus, o que mais me intriga são os Reis Magos. Tradicionalmente, considera-se que eram em número de três. Entretanto, a Bíblia não diz, em nenhum momento, quantos Reis estavam ali. Consideremos outros aspectos.

-> É convenção colocarem, entre os Magos, um negro, é politicamente correto. Entretanto, a Bíblia diz que os Reis Magos vieram do Oriente. Considerando a posição geográfica de Belém, é impossível que algum dos sábios ali presente tenha vindo da África. Ou seja, provavelmente, não havia um Rei Mago negro naquela ocasião.

-> Em momento algum a Bíblia relata o número de sábios que foram ao encontro do recém-nascido salvador da   Terra. Então, por que convencionou-se o número três para contá-los? Porque eles levaram três presentes ao menino. A saber, esses presentes são ouro, incenso e mirra.
- Ouro, para o Rei da Terra.
- Incenso, para o Sacerdote que nos levaria à presença de Deus.
- E mirra, uma especiaria rara, para o Cordeiro que seria imolado por nossos pecados.

-> Segundo as informações que a Bíblia nos passa, chegamos à conclusão de que os sábios não chegaram a Jesus no momento de seu nascimento. Se eles passaram por Herodes antes de chegar ao destino, e, na volta, não passaram e Herodes mandou com que fossem mortas as crianças com dois anos de idade, ou menos, podemos afirmar, não com precisão, que eles chegaram e viram um Jesus com pouco menos de um ano de idade, e não recém-nascido, como normalmente é representado.

Levando em conta essas considerações, gostaria de fornecer um novo retrato para a cena dos Reis Magos: (parte disso é apenas fruto da minha imaginação)

-> 4 Reis Magos: um ariano (persa), um indiano (por causa da mirra; a Índia sempre foi rica em especiarias), um oriental do Leste (talvez um chinês) e um árabe.

-> Uma casa, em Belém: se Jesus já tinha um ano de idade quando os sábios chegaram, eles provavelmente não o encontraram no estábulo que presenciou o Nascimento. É provável que a Sagrada Família já estivesse morando em outra casa

-> José

-> Maria, já refeita do parto, amamentando o Salvador.

-> Jesus com cerca de um ano de idade

-> 0 pastores: os pastores citados pela Bíblia viram Jesus recém-nascido. Se os Reis Magos chegaram a Belém quando Jesus já tinha cerca de um ano, provavelmente os pastores já teriam ido embora.

Os Reis Magos sabiam quem Jesus era. Eles provavelmente se jogaram de joelhos à sua frente, com o rosto em Terra, adorando o Salvador.
Eu imagino uma Maria atônita com a presença, os presentes e as atitudes dos Reis Magos. Imagino um choque entre as culturas dos estrangeiros e de José. E imagino os olhos dos sábios brilhando ao contemplarem o Rei de todo o Universo.
Essa é a minha visão da chegada dos Reis Magos à presença de Jesus.

(se você tiver outra ideia, poste como comentário)

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Sonhos

Quando Martin Luther King pronunciou a célebre frase “eu tenho um sonho”, talvez ele se referisse apenas aos problemas raciais. Mas todos percebem que a frase pode se aplicar às mais diversas áreas.
   Se referindo à igualdade, Luther King estaria, automaticamente, se referindo à miséria que a desigualdade traz. E Martin disse que sonhava com um mundo de igualdade, sem miséria.
    Agora, pode surgir a pergunta: seria possível um mundo com igualdade e sem miséria, ou esta hipótese estaria, apenas, no sonho do pastor americano?
    A resposta é a frase de Machado de Assis, de que “defeitos não fazem mal se há vontade e poder para corrigi-los”. Se a miséria é um defeito, então, com vontade, há como mudar esse quadro.
    Se o sonho é realmente real, podemos ter um mundo melhor e mais justo, com igualdade e sem miséria, exatamente como sonharam Martin Luther King, Mahatma Gandhi, Jesus de Nazaré e tantos outros incontáveis e anônimos sonhadores que a História não nos revelou a identidade.
    Mas, quem pode mudar esse quadro? E quando esse quadro será mudado? O mundo apenas será um lugar melhor, sem desigualdade e sem miséria quando cada um de nós fizer a nossa parte, com consciência e força de vontade para mudar esse quadro.
    Enquanto isso, estaremos fadados a viver em um mundo desigual, injusto e miserável, apenas com um sonho que um pastor negro dos Estados Unidos nos deixou como herança quando um fanático da Ku-klux-klan tirou sua vida com um tiro. Enquanto não mudarmos as estruturas, estaremos destinados a repetir a frase de Luther King, sem expectativa de um mundo melhor. Durma, sonhe, e acorde. Talvez, quando acordar, esteja melhor.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Natal

E o Natal bate às portas...

Presentes?

Papai-Noel?

Jesus?

Comércio?

Dinheiro?

Decoração?

Árvore?

Lutero?

Maria?

José?

Festa pagã?

Mundano?

Amor?

Paz?

Alegria?

Manjedoura?

(Três?) Reis Magos?

Júpiter?

Constantino?

Deus?

Messias?

Salvador?

Afinal de contas, qual é o sentido do Natal?

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Três Desejos

  Uma vez me perguntaram o que eu desejaria se encontrasse uma lâmpada mágica e tivesse direito a três desejos. Não soube o que responder e pedi um tempo pra pensar. Hoje eu descobri o que pediria, e cheguei à conclusão de que isso mereceria um texto. Lá vão os três desejos.
  Em primeiro lugar, pediria que o sofrimento de todas as pessoas do mundo acabasse. Nenhum ser humano merece sofrer. Eu gostaria que toda fome do mundo acabasse. Gostaria que o ódio se extinguisse. Gostaria que não houvesse mais assassinatos e torturas. 
  Em segundo lugar, pediria que todas as pessoas se amassem. Mas que elas se amassem completamente. Que todas as pessoas estivessem dispostas a dar a vida pelas outras. Um amor completo e sem fronteiras. O amor cristão, sacrificial e perfeito.
  Em terceiro lugar, pediria que eu simplesmente desaparecesse. 

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Countdown

Hide, for the countdown has begun (Narnia)

São 04h00 do dia 14 de dezembro de 2010...
O tédio e a solidão me consomem...
Sinto um vazio dentro de mim...
Como preenchê-lo?
Sinto algo que não sei explicar...
Como pode ser?
Tento entender a mim mesmo.
Por que parece tão difícil?
Se nem eu mesmo me entendo,
Como os outros poderiam?

A solidão me atormenta.
Quase sempre cercado de pessoas.
Sempre sem ninguém ao meu lado.
Sinto falta de alguma coisa.
De quê? Não sei.
Sei que preciso de alguém.
Uma namorada?
Um amigo?
Talvez.

Pensamentos começam a bombardear meu cérebro.
O que é este texto?
Uma poesia?
Não quero pensar nisso.
Cada pensamento me atormenta mais.
Não quero mais pensar.
Pensar faz mal...
Meu cérebro não para...

Cada atitude me incomoda.
O Tédio zomba de mim.
Como evitar?
Sinto uma avalanche de sentimentos
Desabando sobre meu coração...
Pior do que pensar é sentir...
Preciso parar com esses vícios.

Sozinho no quarto,
Ideias me atormentam.
Vejo uma arma.
Ideias me atormentam.
Penso em atitudes controversas.
A polêmica parece fazer parte do momento.

O suicídio parece uma boa alternativa.
Rejeito instantaneamente a possibilidade.
O auto-assassinato é um ato egoísta.
Penso nos outros.
Guardo a arma.

Penso na vida.
Vida? Que vida?
Isso é vida?
Pego novamente a arma.

O suicídio novamente
Parece uma boa alternativa.
Reluto em fazê-lo.

Penso mais um instante.
Engatilho. Atiro.

Morro.